sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Sr. Júlio

Vivo em Belém  desde 2005 mais ou menos. Ainda voltei para casa da minha mãe durante uns meses, altura em que achei que o meu curso de comunicação não servia para nada (até agora nada me faz crer o contrário), e inscrevi-me no Ispa. O dinheiro não dava para tudo. Ou vivia sozinha, ou tirava outro curso. Descobri pouco depois que mais do que ajudar os outros, queria ajudar-me a mim. Saí do Ispa e comecei uma psicoterapia. Alguns anos mais tarde vivi 6 meses ao pé da praia da Aguda, próximo de Sintra, mas mais coisa menos coisa, vivo em Belém há muito tempo.
E conheço o Sr. Júlio, empregado do café onde vou todos os dias, desde 2005. Sempre falámos de tudo, de  livros, do tempo, das coisas da vida, da minha gravidez que ele "acompanhou", da minha bébé, dos vizinhos, de política, de tudo . E falávamos sobretudo de viagens, das que eu fiz enquanto assistente de bordo, e das que ele fazia todos os anos em Janeiro. Dizia-me ele que gostava de ter sido comissário de bordo. Fazia-me muitas perguntas dos países onde estive, e das diferentes culturas que conheci, sempre muito curioso. E tanto que ele queria ir a Veneza ,"Deve ser tão bonita e romântica, não é menina?", "É linda Sr. Júlio, vai adorar."
Lembro-me com especial ternura de uma vez que ele me pediu se o meu namorado, que é fotógrafo, lhe podia organizar um cd com as fotografias todas do pastor alemão que ele tinha. Claro, sem problema, disse eu. "É que ele morreu na semana passada, e só tinha 6 meses". E os olhos encheram-se de lágrimas. Afastou-se sem conseguir dizer mais nada.
E agora que escrevo isto, luto para conter as lágrimas porque já não via o Sr. Júlio há 3 semanas, e andava a estranhar porque sei que só tem férias em Janeiro, e hoje ao perguntar por ele disseram-me que não está bem, tem leucemia.
O Sr. Júlio tem 55 anos. E eu quero muito acreditar que ele ainda vai conhecer Veneza.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

a ler


A gralha diz que este último é muito bom.

diz que é da idade pá

Já cheguei aquela fase em que preciso de franzir os olhos e afastar a agulha e linha meio metro dos olhos, para enfiar uma na outra.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

my name is...

Nunca fui grande fã do James Bond. Vi alguns filmes do Sean Connery, mas sempre gostei mais do Roger Moore, vá-se lá saber porquê. Mas para mim, a apoteose do 007 foi com o "Licence to Kill" com um dos Bonds menos carismáticos de sempre, oTimothy Dalton, e com a vilã mais enigmática, a Grace Jones. A canção principal do filme foi com toda a certeza uma das razões do meu enamoramento, a saber "View to a Kill" dos Duran Duran. A partir daqui o meu interesse foi esmorecendo até desaparecer por completo.
Eis se não quando aparece o Daniel Craig no Casino Royale (valha-me nossa senhora, aqueles mini-calções azuis). O filme abalou as minhas fundações, as minhas entranhas. A cena inicial de perseguição de Parkour mostrou claramente que o velho Bond estava morto e enterrado. Estavamos perante um novo 007, um Bond que à pergunta do costume "Martini shaken or stirred?" responde "Do I look like a give a damn?". Ouch! E o Daniel Craig é perfeito para o papel. Per-fei-to.
O Quantum of Solace também não me desiludiu. E apesar de tudo acho brilhante terem mantido o genérico da prache com mulheres e armas, e o cano da arma. Touché.
E este Skyfall? Muitíssimo bom.
A começar pelo casting de actores, Albert Finney, Judi Dench (grande, grande), Ralph Fiennes (surprise, surprise), e mais uma personagem tão gira (spoiler, não posso dizer). And the best for last, Javier Bardem. Que vilão! Bom de tão mau. Mas bom. E que interessante a relação entre a M, Bond e este vilão. E a cena entre o Bond e o Javier na sala dos computadores? ....
Gostei tanto, mas tanto, que até ía ver outra vez. São poucos os filmes que me entusiasmam assim, e é bom saber que ainda se fazem.
Venham mais.

p.s. por curiosidade fui pesquisar aqui no blog (benditas etiquetas) qual o último filme que vi no cinema. Foi em Março, O Artista. Em Março. E constato que preciso de cinema como de pão para a boca. Não consigo viver sem ir ao cinema. Quer dizer, conseguir, consigo, mas não é a mesma coisa.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

agradecer ao universo

O facto de termos conseguido comprar bilhetes da TAP para o natal, e não da Easy Jet. Os da TAP foram mais baratos, imagine-se. Assim, de 16 a 26 de Dezembro, estaremos por terras italianas. E a ver se em vez de me enervar com o frio que odeio, com o andar de avião, que odeio também, mais o facto de estar em casa da minha sogra (nada contra se fosse um fim de semana, mas são muitos dias seguidos), dizia eu, a ver se aproveito para ir jantar fora com o meu jovem, brincar com a minha miúda, e estar com amigos que não vejo há um ano.
De resto é aguentar aquele frio estúpido como o raio e a estupada daquela televisão dobrada, não há pachorra. (cheira-me que vou levar o meu disco com alguns filmitos em original).

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

do fim de semana

Choveu a potes e eu nem aí. Estive de folga no sábado, dia de me time, dei umas voltas, ofereci-me um casaco de inverno, fui ao cinema (postzinho já já a seguir), cheguei a casa e o meu jovem já nos tinha feito o jantar. Domingo miúda super bem disposta, e ainda fiz uma sestinha, daquelas de babar na almofada. Que mais se quer da vida?

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

obrigadinha ó merkel

Para além de tudo o resto, obrigadinha pelo caos no trânsito e pela meia hora parada no carro, a tentar levar a minha filha à avó.  Depois no regresso, ainda tive de choramingar e pedinchar aos senhores agentes que me deixassem descer a calçada da ajuda, para devolver o carro ao meu pai. Obrigadinha porque, depois de estacionado o carro, descobri que não havia um único autocarro ou táxi à vista. Fui a pé umas quantas paragens só para acordar. E obrigadinha porque vou ter de compensar hoje e amanhã ao almoço, os 60 minutos que cheguei atrasasa hoje.
Obrigadinha pá.