quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

as mulheres

Aqui as mulheres não são nada.
Não votam, não conduzem, não trabalham, não estudam.
Passam a vida em casa ou nos centros comerciais a fazer compras. Vestem-se todas de negro, mas estão sempre maquilhadas (muito) e por baixo das abayas (vestidos pretos) vestem-se como se fossem para um casamento, com vestidos coloridos de lantejoulas e folhos se for preciso. Como é que eu sei? Porque vejo esses vestidos nas lojas, e por vezes se vê a bainha de um vestido a espreitar por debaixo da abaya. Nos restaurantes comem num sítio à parte, resguardado por biombos. Nos centros comerciais caminham atrás dos homens e olham para nós com desdém, como se fossemos alíenigenas. E de facto, ali, é o que somos.
No outro dia fui beber um café ao starbucks. Vi duas entradas, a Single e a Family. E o que pensou o meu cérebro de mulher ocidental? Vou entrar na single, que do outro lado é para famílias. Certo? Errado. Singles é para homens e Family é para as mulheres e suas crias.
Fui gentilmente escoltada para fora do starbucks.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

shopping em Jeddah

A minha primeira incursão no shopping em Jeddah foi no Ballad Market.
Parece a feira da Praça de Espanha, mas em vez de azul é branca.Vende-se de tudo, mas tudo mesmo. Aqui é tudo regateado, e quando pergunto o preço de alguma coisa dizem-me "Sister, i do good discount for you, go see things, later we talk."
Depois de escolher o que quero, coloco tudo em cima de um balcão e digo "Now you make me very good discount." (já percebi que se falar inglês como eles, percebem-me melhor)
Depois do regateio e de termos acordado um preço, o vendedor fica com um ar infeliz e diz "You exploit me sister, but i want a smile on your face. Where are you from?" E depois de dizer Portugal, invariavelmente lá vem o Cristiano Ronaldo, o Figo e o Nuno gomes.

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

o Hajj

O Hajj é o ritual de peregrinação a Meca que todos os muçulmanos devem fazer pelo menos uma vez na vida. É a maior peregrinação do mundo. Milhares de crentes convergem para a cidade santa, onde têm que cumprir uma série de rituais:
- Dar sete voltas à volta da Kaaba, no sentido contrário aos ponteiros do relógio. Devem apontar para a pedra no final de cada volta (antes, a pedra tinha de ser beijada no final de cada volta, mas a técnica de controle de multidões, e não Alá, determinou que apontar tem o mesmo efeito)
- Correr para a frente e para trás nos montes de Al-Safa e Al-Marwah.
- Beber água do poço zanzam (água sagrada)
- Fazer uma vigília no Monte arafat
- Apanhar pedras em Muzdalifa, que vão ser usadas no apedrejamento do diabo, em Mena, a 5 km de Meca.
- Por fim têm de rapar as cabeças e fazer um sacrifício animal.
Tudo isto dura 40 dias. E estes são os meus passageiros. Muçulmanos africanos que pouparam uma vida inteira para ir da Nigéria a Meca.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

domingo, 6 de janeiro de 2008

pequenos apontamentos

Amo o room service, espero não rebentar o meu ordenado nisto.
A gasolina aqui custa 8 cêntimos o litro. Eu repito: 8 cêntimos.

sábado, 5 de janeiro de 2008

minna, nigéria

Fotografias tiradas à socapa sem ninguém ver. O desembarque foi vigiado por uns tipos muito sinistros, e ainda por cima armados.